segunda-feira, 16 de abril de 2012

Quem é o Brasil e quem são os Brasileiros: uma questão do passado?




Eis que [re]surge a velha questão da formação do povo brasileiro, às vésperas da comemoração do Dia do Índio, indício de que não se trata de uma questão velha.


Confiram o texto de Edson Silva, Presidente da ANPUH-PE (2011-2012). Doutor em História Social pela UNICAMP. Professor no Centro de Educação/Col. de Aplicação da UFPE rebatendo as formas de representação do índio na formação sócio-histórica do Brasil. 




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"SOMOS TODOS ÍNDIOS?!" CRÍTICAS A UM DISCURSO EQUIVOCADO*

19/04/2012

"SOMOS TODOS ÍNDIOS?!" CRÍTICAS A UM DISCURSO EQUIVOCADO
Edson Silva*
"Somos todos índios". Com esse título o Jornal do Commercio (Recife) publicou no sábado 12/04/2012 uma matéria no encarte Galerajc, que é destinado ao público infanto-juvenil. O conteúdo da referida matéria, expressa, salvo raríssimas exceções, como a imprensa (e não somente a escrita!) trata a temática indígena, mais enfaticamente nas proximidades ou no Dia do índio: com desinformações, equívocos e preconceitos. Até mesmo reconhecidos e prestigiados periódicos, como a revista Ciência Hoje das crianças, publicada pela SBPC, em sua edição nº 25 de abril/2012, trás na capa e no seu interior ao abordar as línguas indígenas faladas no Brasil, caricaturas grotescas que reproduzem e reafirmam estereótipos sobre e contra os índios.
Como realizar discussões sobre a temática indígena com a seriedade necessária? Ao abordar o assunto, como fugir do exótico e apresentar, discutir informações críticas? Essa é uma questão fundamental quando os meios de comunicações e ainda os livros didáticos se referem aos índios em textos e imagens.
Para uma visão crítica da citada matéria acima publicada no jornal, começamos pelo título infeliz: "Somos todos brasileiros", onde novamente a antiga ideia e discursos da mestiçagem, subtendendo-se a mistura de "raças", com a História pensada como tudo colocado em um caldeirão que formou o Brasil. E assim ignorando, mascarando, as especificidades das diferentes e diversas expressões socioculturais indígenas existentes no país.
O texto é acompanhado de fotografias com crianças indígenas, sem nenhuma referência sobre do que se trata o momento da foto, qual povo indígena e onde habita. A informação que "os antropólogos acham que hoje só existem 300 mil índios no País", e por demais equivocada! Além dos "antropólogos" não fazerem tal afirmação, o Censo do IBGE/2010 contabilizou, embora seja o número bastante discutível pelos pesquisadores, a população indígena no Brasil em 753 mil indivíduos sendo em Pernambuco 53 mil índios, em 12 povos que habitam no Agreste e Sertão do estado.
No mesmo texto ainda onde se lê que em 1500 foi o ano do "Descobrimento" do Brasil, há uma ênfase na redução da população indígena resultado dos "conflitos com os brancos", por meio da escravização, catequese e interesse pelas terras indígenas. Ao acentuar tal perspectiva é reforçada apenas uma suposta dominação colonial hegemônica diante de povos colonizados passivos. Dizendo de outra forma, uma ênfase no discurso preconceituoso sobre os índios como vítimas dos males da colonização, desprezando-se as ações indivíduas e coletivas indígenas na reformulação da dominação colonial em diversos contextos sociohistoricos, como comprovam as pesquisas.
Além disso, tal ideia também colabora para uma ideia de que os índios incapazes estão condenados implicitamente ao desaparecimento, o que desmentindo pelas próprias estimativas oficiais que afirmam o crescimento surpreendente da população indígena no Brasil nos últimos anos.
Ao tratar os índios como "tribos" o texto remete a uma concepção superada de hierarquização sociológica onde se diferenciavam nações, povos, etc., cabendo as "tribos" o último degrau de uma suposta escala de evolução sociocultural, pensada do ponto de vista Ocidental ou mais precisamente eurocêntrica. Ou seja, existem "tribos" na Europa moderna?!
Ao nomearmos povos indígenas, não se trata apenas de uma questão meramente semântica, porém o reconhecimento de grupos humanos que possuem história e expressões socioculturais específicas na História do Brasil, e não fora dela, se tratando ainda de coletividades que possuem na maioria das vezes uma História muito anterior ao próprio Brasil, ao próprio Estado brasileiro.
A ênfase, como aparece no texto em questão, na nossa herança cultural indígena seja por meio do "artesanato" (porque não Arte Indígena?!), nas "lendas" (por que não mitos indígenas?!), músicas, etc., etc., remete ao assinalado exotismo cultural: uma imagem do índio como um ser alienígena de quem se quer superficialmente conhecer a ‘cultura do índio' em seus apetrechos materiais visíveis, que seleciona-se me grande parte das vezes do ponto de vista consumista. Um consumo do éxótioc! Desprezando-se, ignorando-se uma discussão aprofundada da importância das expressões das sociodiversidades, dos saberes, as formas de ser e das organizações sociopolíticas indígenas, para a história da humanidade, do país.
As concepções aqui assinaladas e questionadas são muito comuns na grande maioria dos textos jornalísticos em geral e também em publicações especializadas. O que revela abordagens que não são baseadas em pesquisas e estudos especializados sobre o tema.
Os povos indígenas inegavelmente ocuparam o cenário sociopolítico em nosso país e a partir de suas mobilizações conquistaram nos últimos anos o (re)conhecimento, o respeito e a garantia a seus direitos específicos e diferenciados. Contribuindo com isso nas discussões sobre e as diferenças socioculturais, para se repensar em um novo desenho do Brasil em suas diversidades e pluralidades. Ou melhor, em sua sociodiversidades.
Esse reconhecimento exige também outras posturas da sociedade e medidas das autoridades governamentais em ouvir dos diferentes sujeitos sociais as necessidades de novas políticas públicas que reconheça, respeite e garantam essas diferenças. A Lei 11.645/2008 determinou a inclusão do ensino da história e culturas indígenas nos currículos escolares, ainda que careça de maiores definições, objetivou a superação dessa lacuna na formação escolar, a medida legal contribui para o reconhecimento e a inclusão das diferenças étnicas dos povos indígenas, para se repensar o país, a História do Brasil.
Os textos publicados, sejam jornalísticos, sejam em revistas especializadas, nos livros didáticos, ou ainda no ambiente acadêmico, devem estar sintonizados com as demandas sociais. Caso contrário, permanecerão reproduzindo, perpetuando antigas desinformações, equívocos e preconceitos sobre os povos indígenas.

* Presidente da ANPUH-PE (2011-2012). Doutor em História Social pela UNICAMP. Professor no Centro de Educação/Col. de Aplicação da UFPE, leciona no Programa de Pós-Graduação em História/UFPE e no Programa de Pós-Graduação em História/UFCG (Campina Grande/PB). Com vários artigos publicados sobre a história indígena e pesquisas que desenvolve junto ao povo Xukuru do Ororubá (Pesqueira e Poção/PE). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9552532754817586

terça-feira, 10 de abril de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

JOAQUIM NABUCO E O SEU LUGAR DE FALA


Obras: 

Amour et Dieu, poesias líricas (1874);
O Abolicionismo (1883);
O erro do Imperador, história (1886);
Escravos, poesia (1886);
Porque continuo a ser monarquista (1890);
Balmaceda, biografia (1895);
A intervenção estrangeira durante a revolta, história diplomática (1896); Um estadista do Império, biografia, 3 tomos (1897-1899);
Escritos e discursos literários (1901);
Pensées detachées et souvenirs (1906);
Discursos e conferências nos Estados Unidos, tradução do inglês de Artur Bomilcar (1911);
Obras completas, 14 vols. org. por Celso Cunha (1947-1949).

Joaquim Nabuco (J. Aurélio Barreto N. de Araújo), escritor e diplomata, nasceu em Recife, PE, em 19 de agosto de 1849, e faleceu em Washington, EUA, em 17 de janeiro de 1910. Compareceu às sessões preliminares de instalação da Academia Brasileira de Letras, fundador da Cadeira nº 27, que tem como patrono Maciel Monteiro. Designado secretário-geral da Instituição na sessão de 28 de janeiro de 1897, exerceu o cargo até 1899 e de 1908 a 1910.
Era filho do Senador José Tomás Nabuco de Araújo e de Ana Benigna Barreto Nabuco de Araújo, irmã do marquês do Recife, Francisco Pais Barreto. Estudou humanidades no Colégio Pedro II, bacharelando-se em letras. Em 1865, seguiu para São Paulo, onde fez os três primeiros anos de Direito e formou-se no Recife, em 1870. Foi adido de primeira classe em Londres, depois em Washington, de 1876 a 1879.
Atraído pela política, foi eleito deputado geral por sua província, vindo então a residir no Rio. Sua entrada para a Câmara marcou o início da campanha em favor do Abolicionismo, que logo se tornou causa nacional, na defesa da qual tanto cresceu. De 1881 a 1884, Nabuco viajou pela Europa e em 1883, em Londres, publicou O Abolicionismo. De regresso ao país, foi novamente eleito deputado por Pernambuco, retomando posição de destaque da campanha abolicionista, que cinco anos depois era coroada de êxito. Ao ser proclamada a República, em 1889, permaneceu com suas convicções monarquistas. Retirou-se da vida pública, dedicando-se à sua obra e ao estudo.
Nessa fase de espontâneo afastamento, Joaquim Nabuco viveu no Rio de Janeiro, exercendo a advocacia e fazendo jornalismo. Freqüentava a redação da Revista Brasileira, onde estreitou relações e amizade com altas figuras da vida literária brasileira, Machado de Assis, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, de cujo convívio nasceria a Academia Brasileira de Letras, em 1897.
Nesse período, Joaquim Nabuco escreveu duas grandes obras: “Um Estadista do Império”, biografia do pai, mas que é, na verdade, a história política do país e um livro de memórias, “Minha Formação”, uma obra clássica de literatura brasileira.
Em 1900, o Presidente Campos Sales conseguiu demovê-lo a aceitar o posto de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em missão especial em Londres, na questão do Brasil com a Inglaterra, a respeito dos limites da Guiana Inglesa. Em 1901, era acreditado em missão ordinária, como embaixador do Brasil em Londres e, a partir de 1905, em Washington. Em 1906, veio ao Rio de Janeiro para presidir a 3ª. Conferência Pan-Americana. Em sua companhia veio o Secretário de Estado norte-americano Elihu Root. Ambos eram defensores do pan-americanismo, no sentido de uma ampla e efetiva aproximação continental. Em 1909, fez uma viagem oficial a Havana, para assistir à restauração do governo nacional de Cuba.
Grande era o seu prestígio perante o povo e o governo norte-americano, manifestado em expressões de admiração dos homens mais eminentes, a começar pelo Presidente Theodore Roosevelt e pelo Secretário de Estado Root; e na recepção das Universidades, nas quais proferiu uma série de conferências, sobre cultura brasileira. Quando faleceu, em Washington, seu corpo foi conduzido, com solenidade excepcional, para o cemitério da capital norte-americana, e depois foi trasladado para o Brasil, no cruzador North Caroline. Do Rio de Janeiro foi transportado para o Recife, a cidade que o viu nascer. 

Em 28 de setembro de 1915, Recife inaugurou, em uma de suas praças públicas, sua Estátua.

Um monumento em homenagem ao escritor pernambucano Joaquim Nabuco, foi inaugurado pela Academia Brasileira de Letras, ao lado do prédio da ABL, no centro do Rio, nesta quinta-feira (17). A estátua de bronze tem 1,90m, 220kg.

FONTE: ABL, 2012.

terça-feira, 27 de março de 2012

Desenvolvendo o argumento de Roberto Ventura


No segundo capítulo de seu Estilo Tropical, Roberto Ventura diz que Sílvio Romero compartilha com Nina Rodrigues o "paradigma racial" na interpretação do Brasil e dos Brasileiros, não como uma imitação e acolhimento de ideias vindas de fora que não teriam lugar no país. Para ele, o acolhimento das teorias racistas teria função cultural e política no país, como estratégia de afirmação do lugar dos intelectuais, e da elite letrada, frente às outras camadas da população. 
Este é o principal argumento de Metamorfoses na interpretação do Brasil - Tensões no paradigma racial (Silvio Romeiro, Nina Rodrigues, Euclides da Cunha e Oliveira Vianna), Tese de Ricardo Sequeira Bechelli, defendida na USP, em 2009.
Resumo em português
O objetivo desta tese é compreender as tensões e metamorfoses existentes na análise social realizada por por alguns do principais autores brasileiros da virada do século XIX para o XX, rocurando demonstrar que, indo além das ideologias racistas presentes em suas obras, eles tentavam compreender e explicar a sociedade e a cultura rasileiras, abrindo, assim, novos caminhos e horizontes para outros estudos. Neste sentido, serão analisadas as obras de Sílvio Romero, Nina Rodrigues, Euclides da Cunha e Oliveira Vianna, tomando a perspectiva analítica de comparar como estes autores, clássicos e fundamentais para a compreensão do Brasil, conseguiram superar o racismo que aparecia inerente em suas obras, mostrando uma abordagem crítica em relação à sociedade brasileira e abordando aspectos culturais e sociais do Brasil, até então inéditos

terça-feira, 20 de março de 2012

Gonçalves de Magalhães: O índio na História do Brasil

MAGALHÃES, D.J.G. de. Os indígenas do Brasil perante a história. RIHGB, Rio de Janeiro, t. 23, n. 3 1860. 


O autor: 
"Nascido em 1811 no Rio de Janeiro, a sua infância, adolescência e juventude passaram-se na quadra mais ativa e efervescente da nossa vida política, que justamente então em verdade começava. Era menino de onze anos pela independência, e pelo 7 de abril entrava em plena juventude. Coincidiu-lhe a idade viril com a da pátria. Se houvesse em Magalhães maior personalidade, mais caráter, quero dizer qualidades morais salientes e ativas que lhe estimulassem o engenho, o momento e o meio teriam podido fazer dele um grande poeta. Não logrou ser senão um distinto poeta, cujo sentimento se ressente das circunstâncias em que se criou, cujo estro e inspiração revêem aquele meio e momento, mas sem o relevo e a distinção que foi de moda atribuir-lhe. Não se veja, aliás, nessa atribuição apenas a mesquinhez do gosto e do senso crítico do tempo ou um efeito das camaradagens literárias do autor, senão a conseqüência dos mesmos exaltados sentimentos nacionais do momento. Nem foi ele o único a quem esta circunstância aproveitou. Ao contrário, ela influiu preponderantemente na admiração ingênua e desavisado apreço que os nossos avós da primeira geração após a Independência tiveram por todos os seus poetas e literatos. A sua vaidade patriótica, então exagerada, desvanecia-se deles, como prova da nossa capacidade mental a opor às presunções e preconceitos portugueses da nossa inferioridade. E, ou fosse porque candidamente estivessem persuadidos do mérito dos escritores patrícios, ou por despique da opinião da metrópole, lho encareciam descomedidamente. Que, por Magalhães, não era a manifestação de uma parceria ou conventículo de literatos, mas o sentimento geral e sincero mostra-o o terem dele aproveitado ainda os mais medíocres. Tal sentimento é o inspirador da crítica nimiamente laudatória e até louvaminheira da época, e que se continuaria até nós em virtude de um hábito adquirido. É também esse sentimento, ininteligente certamente, mas ao cabo respeitável, que levaria os primeiros historiadores das nossas letras, que justamente então começam a aparecer, à enumeração fastidiosa e inútil de nomes e nomes, e a juntar-lhes os mais descabidos encômios." (VERÍSSIMO, José, 1911, p. 79)

A obra
"Em 1860, Domingos José Gonçalves de Magalhães escreveu um artigo polemizando com o livro História Geral do Brazil, de Varnhagen, nas abordagens que este fazia em relação aos índios. Magalhães entende que a história é um processo constituído de interesses conflitantes e pode variar de acordo com os interesses de quem interpreta ou expõe os fatos. Assim, sua proposta de reabilitar os indígenas perante a philosophia e a história passa pela crítica do discurso de Varnhagen, o que faz, ancorado na idéia do bom selvagem de Rosseau, ao longo das 62 páginas de Os indígenas do Brasil perante a história. Na conclusão, ele apresenta sua proposição para chamar os índios ao grêmio da civilização. Para ele, os índios eram

...dotados de grande instincto de observação e de imitação (...) são mui affeiçoados, e tendem sempre a ligar-se comnosco; e sem a perseguição a ferro e fogo que os afugenta dos centros civilisados, estariam logo todos fundidos na nossa população. (...) Pela religião, e pela musica de que são amantissimos; por meios brandos, e algumas dadivas de instrumentos agrarios, e de avellorios, facil-nos fôra attrahil-os, e aldeal-os. (Magalhães, 1860:65)

Essa atração significava muitos braços para a lavoura, mesmo que não fosse de imediato, pois os filhos dessa geração aldeada, sujeitos às leis e aos costumes dos brancos cumpririam essa tarefa, e os brancos civilizados estariam realizando o dever moral, religioso, social e patriótico de “civilizar os índios”, ou os Brasilios, como os denominava Magalhães. " (MOTA, 1997, p.157-158)


segunda-feira, 19 de março de 2012

COMO FAZER UM RELATÓRIO?

1 - RELATÓRIO
O que é relatar? "re.la.tar - (lat relatu+ar2) vtd 1 Fazer o relato de; contar, expor, narrar, referir: Relatar os acontecimentos. Relatam os jornais aos leitores o que se passa diariamente em todo o mundo. 2 Exarar parecer sobre; fazer o relatório ou a parte preambular de (decreto, lei, processo etc.): Relatar um projeto de lei. 3Incluir, mencionar, relacionar: Relatou-o na lista dos convidados. 4 Defender (tese pública nas universidades). (MICHAELIS)

Na universidade, a gama de trabalhos pedidos aos alunos é variada e, não raro, esses trabalhos exigem a apresentação de relatórios. Os mais comuns para os estudantes são os relatórios de viagem, de estágio, de visita e técnico-científico.
Os mesmos consistem numa redação, na qual se apresenta, por escrito, o que foi observado, verificado ou pesquisado. Não se deve esquecer de fornecer todas as informações relativas a cada tipo de relatório, como por exemplo:
a) relatório de viagem – indicar data, destino, duração, participantes, objetivos e atividades desenvolvidas;
b) relatório de estágio e de visita – descrever o local, o período de duração, as atividades desenvolvidas pelo estagiário ou as observações feitas pelo visitante;
c) relatório técnico-científico – descrever experiências, investigações, processos, métodos e análises. Serve de informação dos resultados obtidos.
1. Como fazer um relatório
Como qualquer trabalho acadêmico, os relatórios devem conter introdução, desenvolvimento e conclusão, podendo ser acompanhados de documentos demonstrativos, tais como tabelas, gráficos, estatísticas e outros.
Na elaboração e apresentação, é importante conhecer não só as qualidades exigidas de um relatório como, também, os cuidados no uso da linguagem científica, de ilustrações e citações.
A redação de um relatório, para atender ao que se propõe “deve levar em consideração sua finalidade (relatar o quê? para quem? por quê?), isto é, deve ser adequada às circunstâncias e aos objetivos” (ANDRADE, 1997 b, p.70).
Com relação ao que deve ou não ser incluído num relatório, é bom lembrar que esta é uma decisão que cabe a cada um. Como regra geral estabelece-se que o relatório deva ser conciso, embora haja situações em que o relato precisa ser minucioso.
Não se podem determinar regras a serem observadas na redação do relatório, porém, algumas recomendações de ordem geral podem ser feitas:
�� fazer transparecer as seguintes qualidades: precisão na escrita, clareza, estilo e vocabulário adequado ao tipo de relatório;
�� usar de linguagem científica “modesta, objetiva, evitando redundância de expressões, imprecisões, desperdício de vocábulos e adjetivação” (BARROS e LEHFELD, 1986, p.114);
�� expor os fatos ou atividades tal qual foram verificados, sem as opiniões pessoais, que devem ser reservadas para a conclusão;
�� redigir na terceira pessoa, evitando uso de expressões como “minha pesquisa”, “eu penso”, “concluí que”, “parece-me”, etc.;
�� colocar no final do relatório as referências bibliográficas caso tenham sido utilizados textos para consulta, ou ainda, filmes, mapas etc.
Enfim, a redação do relatório deve ser orientada pelas observações feitas, pelas documentações, pelas fontes bibliográficas, procurando responder as afirmações e argumentações.
A apresentação de uma conclusão é muito importante, pois, depois da colocação de todas as informações, dados etc., faz-se uma apreciação particular, sendo a construção do texto inteiramente pessoal.

segunda-feira, 12 de março de 2012

História Geral do Brazil

FRANCISCO ADOLFO DE VARNHAGEN , Heródoto Brasileiro?



Francisco Adolfo de Varnhagen nasceu em São João de Ipanema (S.Paulo) a 17 de fevereiro de 1816. Filho de Frederico Luís Guilherme de Varnhagen e de Maria Flávia de Sá Magalhães, estudou no Real Colégio da Luz em Lisboa, de 1825 a 1832 e, a seguir, ingressou na Academia de Marinha, cujo curso freqüentou em 1832 e 1833. Faleceu em Viena, Áustria, a 26 de junho de 1878. É o patrono da Cadeira nº 39 da Academia Brasileira de Letras.
Tenente de artilharia do exército português aperfeiçoou-se em assuntos de natureza militar e de engenharia. Publicou em 1838 um ensaio intitulado "Notícia do Brasil". Colaborou em "O Panorama", dirigido pelo grande historiador português Alexandre Herculano. Divulgou, fruto das primeiras notáveis pesquisas sobre a época do descobrimento do Brasil, o "Diário de Navegação de Pero Lopes de Sousa". Já licenciado do exército português tornou-se sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (18 de julho de 1840).
Nomeado adido à legação do Brasil em Lisboa, em 1841, foi incumbido de pesquisar documentos sobre a História e a Legislação referentes ao nosso país.
Nesse mesmo ano passou a integrar o Imperial Corpo de Engenheiros do exército brasileiro, do qual se desligou três anos depois. Voltou à carreira de diplomata e, em 1854, conseguiu editar a "História Geral do Brasil", sem indicação explícita de autoria - apenas elaborada "por um sócio do Instituto Histórico do Brasil, natural de Sorocaba". (fonte: ABL)

História Geral do Brasil, O primeiro livro de história do Brasil?